De onde surgiram as fake news? A história das mentiras elaboradas e as suas consequências.

A criação e distribuição de uma informação fraudulenta, remonta a história da criação da escrita na sociedade humana. Se fosse possível contar uma notícia falsa com pedra lascada, faríamos também.

Brasília, 25/10/21  |  Tempo de leitura 3min:25s

A arte de propagar informações falsas não é uma criação moderna, e não têm nenhuma relação com a criação da internet em nossos tempos, escrever e proferir inverdades é uma característica humana e acompanha a história da nossa sociedade desde tempos pré-históricos.

Criar é uma característica humana, é a nossa imaginação aliada com o nosso interesse pessoal, são os pais das notícias criadas, a divulgação de informações falsas sempre fez parte da nossa comunicação. A verdade, dizia um famoso popular, seria sempre a primeira vítima nas guerras, suspeito que esta informação seja por demais inocente.

A verdade morre em qualquer situação de comunicação em uma sociedade organizada, criar uma informação é uma arte tão antiga quanto a humanidade. A verdade é sempre um conceito abstrato na metafísica do poder, dirão os mais literatos. Situação pouco diferente nas cadeiras de estudos das ciências, nestes espaços da intelectualidade a verdade é mutante.

Tanto a mentira como a verdade, são construções políticas

Se muita gente repete a mesma informação, ele acaba se tornando um senso comum, passa de um campo criado pelas idéias e passa para o campo de aceitação social, passa a fazer parte da cultura e passa a ser aceita como verdade.

Então a força cultural que uma informação possui, não têm nenhuma relação com fatos, mas sim com sua conotação política. Para que um assunto seja verdadeiro, ele precisa necessariamente de volume de crentes que repliquem a informação.

Recentemente acabei lendo nos noticiários da internet, sobre a relação entre serviços das empresas desentupidora com a provável degradação da natureza. A informação em si acaba fazendo sentido por conta do peso de produtos químicos aplicados no serviço, mas nem de perto chega a fazer diferença na capacidade da maioria das natureza em decompor estes elementos, que são na ordem de milhões de toneladas de capacidade.

A notícia de degradação de estradas de rodagem é de origem política, são prefeitos e secretários de obras que por inação em providenciar manutenção adequada em estradas, por conta de altos custos, culpam os clientes das estradas pela sua degradação.

Perceba leitor a sutil diferença entre um argumento factível de uma completa mentira, é o discurso que justifica uma possível versão da verdade e uma possível versão de uma criação política.

As histórias criadas, nos definem.

Assim o historiador francês Paul Veyne, já tratou do tema sobre a verdade, em seu ensaio. Os Gregos Acreditavam em Seus Mitos? “Os homens não encontram a verdade, a constroem, como constroem sua história”.

Quando uma suposta elite detentora da verdade se propõe a ser o único canal da informação mais apurado é por si mesmo, mais um engodo. Todo grande aparato jornalístico é em sua essência um propagador de informações criadas. Pois justamente a tal informação mais verdadeira é uma criação.

Logo fica subentendido que a verdade pertence a alguns e as inverdades a outros, não é mais um debate sobre dados e fatos é sempre uma disputa política de discursos. Aqueles que têm em seu grupo político mais apoio, no sentido de ter mais força de propagação de uma informação criada é que acaba levando temporariamente a medalha da verdade.

A verdade é mais verdadeira na medida da sua influência

Caro leitor, longe de mim condenar ou apoiar qualquer iniciativa de ordem religiosa, mas peço sua atenção para o fato de que se Deus não existisse, precisaria ser criado. A história da divindade é um pilar fundamental para se compreender a sociedade humana, e relembrando o que já foi tratado neste texto, o homem é o único capaz de criar a sua história, explicar a origem da vida por meio do divino é tipicamente um ação de livre criação.

Retornando ao exemplo proposto no parágrafo anterior, as condições das estradas brasileiras têm pouca relação com o impacto supostamente promovido pelas transportadoras de veículos, mas é um discurso válido para muitos que recebem esta notícia. Podemos avaliar que sim, a verdade é que as empresas de transportes é que destroem as vias, por conta do peso da carga, mas também é verdade que a degradação também é de origem da qualidade do material empregado na construção da estrada.

Perceba o leitor que a informação recebida por nós sempre possui dois lados, então ficando por óbvio sempre dar espaço ao contraditório para se chegar a uma verdade possível de ser alcançada. Obviamente que a utilização das estradas seja por meio de um caminhão de mudanças em Brasília, ou por meio do trânsito de uma bicicleta, aplica sobre a construção, um grau de desgaste.

Pela mesma forma, que este eventual grau de desgaste é proporcional a qualidade dos materiais aplicados na construção do pavimento, são duas propostas lógicas e verdadeiras.

As fake news, são de fato, verdades para um grupo de pessoas, mas ao analisar algumas informações reconhecidamente falsas e serve ao leitor como medidor de toxicidade, é o dividendo político gerado pela propagação da informação.

Se o discurso for proferido por um líder político, a chance de ser um conteúdo falso é muito mais elevada.

Ronaldo Luis Gonçalves

Pai, Marido, Escritor, Engenheiro de Software, Empreendedor Digital atuando no mercado de marketing, é também redator de diversos sites na internet.

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